Nomscis - Coletânea de Poesias (Novo Livro Publicado)


Mais um livro meu publicado no Clube de Autores. Essa coletânea de poesias é uma parte importante de Laesffer, nela estão guardados os instantes de outroras que vivi e que fazem parte daquilo que sou. Não há nenhuma poesia erótica, pois, a elas está reservado Ëhvm que será, também, publicado em breve. Nomscis ganhou vida na madrugada de hoje quando precisei dar um nome à minha coletânea de poesias, como esta é muito significativa e intensa, escolhi criar um nome em Ílus para deixar clara a profundidade poética da obra, ou melhor, das obras, isto é, de cada poesia selecionada para a coletânea. Nomscis emergiu como emerge todas as palavras em Ílus: havia a compreensão de um significado, um sentido veemente em minha consciência intuitiva - a partir disso era preciso buscar unir letras para formar a palavra que comportasse esse sentido. Foram algumas tentativas até vir a ser Nomscis que, na primeira vez que foi pronunciado por mim, fez absoluto sentido àquilo que eu buscava.

Nomscis exprimi com maestria o todo qual fui, e que na verdade ainda sou, dado que todo o outrora que está na memória e é lembrado, nunca deixa de ser um agora. É um "pedaço" de mim; uma parte eternizada. A maior parte das poesias desta coletânea foram escritas nos anos de 2014, 2015 e 2016; somente algumas nasceram em 2017. São 119 Poesias de um 'eu' que estava no auge de seus dias, espero poder transmiti-lo através desta coletânea e que eu também possa guardar meu 'eu' evidente nestas poesias em um lugar próprio para ele, assim como cada nuance de mim tem seu espaço. Pois, como sempre digo: "... para descrever meu espírito, é preciso um sempiterno grafar...".

Você pode adquirir o livro acessando o Clube de Autores. Caso queira comprar o PDF que sai por R$10, 50, fale diretamente comigo pelo e-mail: escritorasaramelissa@outlook.com ou pelas redes sociais.

Beth

Sentada, olhava para a janela semi-aberta. Seus olhos captavam, em desfoque, as luzes da grande cidade; era noite, chovia. Seu vestido de negro chiffon obscurecia ainda mais a noite densa. Ela se perdia em seu silêncio enquanto suas pernas aqueciam-se entre si, a taça Bordeaux em seus dedos cumpridos, unhas rubras; aroma de vinho Cabernet Sauvignon. Talvez apreciasse a ausência de luz, o silêncio e a solidão de um sábado lúgubre, se não fosse o sentimento lânguido de saudade. Não, de maneira alguma ousaria ela confessar que a imagem em sua mente era o perfeito traço do rosto viril de seu, outrora, amante. Em honra à droga que a tornava ébria, em honra a feminilidade de suas entranhas. Ainda assim, a imagem era clara; de certa forma reluzia, ofuscava o orgulho.

Batom rubro no cristal, brisa fria arrepiando a pela nívea. Beth levanta-se; cai sobre si o leve chiffon que delineia as pernas sem deixá-las ocultas. Não poderia deixá-las, pois, eram belas; torneadas e límpidas. Então, embora sutilmente turva, ela se aproximou, elegante, da janela — a mesma que encarava há pouco. “Sade poderia, com maestria, cantar meu desconsolo; orgulho dissimulado.” — Proferiu Beth a si mesma. Podia admirar os casais apaixonados deixando o Cabret Luvier frente ao seu apartamento. Primor aos mais abastados homens; fortúnio feminil. Ela movimentava sua cabeça, sentia-se indignada com a hipocrisia: “Sequer sabem o que é amar…” — Acendeu um cigarro, ainda que odiasse fumar — inconscientemente o fazia por lembrar-se daquele que a invadia o pensar desde que deixara a confraternização de amigos há pouco tempo — cerca de uma hora atrás. Reuniam-se no mesmo local que, agora, ela observava de longe.

‘Svend’ era o nome de seu ex-amante que, ainda, era estranhamente amado. Não com romantismo cego ou paixão dilacerada — era amado por amor puro e simplesmente; sem nada a acrescentar. Pelos olhos verdes ou pela força com que tocava na pele nívea de Beth; porventura pelos lábios quentes e o sexo suculento — não havia como saber exatamente o que mais a deixava em sutil desequilíbrio; o amor velado ou o corpo despido — palavras impudicas nos ouvidos adornados de pérolas.

Mais um gole, droga lícita ingerida, uva alcoólica. A brisa intensificava-se à medida em que os minutos se passavam, Beth ainda observava amantes efêmeros de Cabret Luvier — gostaria de não ser tão Beth, tão entregue ao amor abismal; ao mesmo instante em que se exaltava pela vaidade de ser si mesma. A mulher fatal — de certa forma imortal, jovem-mulher, fêmea intocável.

Todavia… os olhos ainda eram verdes, o toque ainda era ardente, a memória ainda era vívida. Beth fechou seus olhos e sentiu sua cútis arrepiar-se pelo gélido ar das montanhas do Sul. Svend em sua mente — e ela permitiu-se lembrar — não havia como ir contra a memória.

— Suada, assim, vejo que és este éden
Só não te percas do pecado que te exalas
A força feminil da ganância sexual desperta
E a docilidade que só eu vejo nas tuas trêmulas mãos.

— Vais pelo meu silêncio, Svend.
Nunca morri nua, exceto agora.
Tua voz, nos mais belos proferidos vocábulos,
Só dizem que vais.

— Talvez este seja a tua mortalidade.

— E a tua, Svend, quem julga?


Silêncio. A porta aberta, o fim amargurado. Svend deixara Beth, não por não querê-la, mas por saber que, dentro de seu apartamento no Norte de Hesm — banhado por lagos, pátios e jardins — esperava por ele, sorridente, uma jovem molhar a qual chamava de sua noiva. Ela, ali, acariciava seu abdômen por saber que, em seu vente, nascia a vida que a uniria ao seu esposo outra vez. E assim foi — de modo errôneo e inautêntico. Svend deixou de traí-la, pela responsabilidade de cuidar do seu herdeiro.

Beth sempre soube — e odiava saber tanto. Desde que lacrimou pelo ciúme, soube, estava amando. E a partir disso apenas passou a saber cada vez mais — quiçá, pois, Svend também a amava e, inteiriço, entregava-se; contava a Beth, pouco a pouco, quem era ele e o porquê estava ali. No entanto, era fraco. Partiu. Errou. E a lembrança tornou-se fardo. Para Beth e para Svend que, desde então, masturbava-se solitário sob a água quente do chuveiro enquanto pensava no corpo, na pele, na vulva, nos seios de Beth — e, no quarto ao lado, Beatrize acariciava o rosto de sua filha Amber. Beatrize mentia a si mesma, mentia felicidade — nunca mais fora tocada, beijada, amada; estava sozinha enquanto, em companhia, estava.

Mentiras, desencontros, falsos e ilusórios esquecimentos. Beth abriu seus olhos outra vez, suspirou — a melancolia se esvaiu. Preferia a beleza da recém-paixão, jamais a dor do adeus — ainda que amasse, afastou-se do amor e olhou para si. Decidiu que se entregaria ao que sempre esteve entregue: a si. Dançaria em sua companhia, tocaria seu corpo, amar-se-ia sexualmente pelo resto da noite obscura; estava viva, isso bastava — podia escolher, e em sua liberdade já escolhera.

Sorriu, apagou seu cigarro, abandonara o vinho — buscou a nudez e o toque. Lutando contra a visão vibrante, caminhou para o seu quarto — ela estava disposta a voltar à vida, tornando cinza-ardósia qualquer fúlgido resquício de Svend. No entanto, ao lado da cama, em um móvel sutil, um vaso Turquesa de Argila Ornamental, cheio Gypsophilas recém-colhidas, era culpado por retirar o sorriso frágil dos lábios de Beth.

Era um presente de Svend, chegara na tarde incolor do dia anterior; um cartão anunciava-o. Gypsophilas poderiam representar muito para Beth, todavia, um baixo grau de rancor lhe parecia mais digno de atenção — após um adeus tão frio, não poderia render-se a Svend outra vez, ainda mais naquele ínterim; Svend era, agora, pai. Beth sequer abriu o envelope preso aos finos galhos da planta — preferiu fingir que aquilo tudo era frívolo, irrelevante.

Deitou-se em sua cama, buscou outra vez a morte da lembrança e do sentir. Em pouco tempo amanheceria e as manhãs eram melancolia; por isso se deixou levar pelo silêncio, adormeceu. Em seus sonhos ela se afogou de tal modo que não voltou a acordar — foi levada pela irrealidade onírica, onde podia alcançar facilmente todos os seus desejos; permaneceu lá até ser obrigada a voltar, de súbito, ao som de seu telefone celular.

E a voz de Svend do outro lado da linha, aquela voz tenra e austera.

— Deixe-me subir.
Há sombras das quais não se consegue ver através da luz da razão.
E é nelas que se encontra o princípio,
O motivo primeiro,
A razão absoluta.


E os olhos castanhos jazeram outra vez nos tons verdes de uma íris já conhecida. O mistério das sombras, a luz extinta, escuridão legível. Beth perdeu-se em Svend outra vez, não poderia mais achar o caminho de volta a si — não mais. Nunca mais.

Diz-me, amor



Sentiste-a reluzir
No meu íntimo ventre
Quando tua carne
Dominava-me?
Era minh’alma
Onde tu tocaste
Ao meter violento
Dissoluto e febril.
Diz-me, amor,
A singular sensação
De beijar com teu falo
Plenitúrgido
O imo do meu espírito.


Permita-nos.

Romance de Literatura Erótica
Ano: 2017, não-concluído, 116 páginas.

Sinopse: Desde os cinco anos de idade, Anihta vivencia a sua sexualidade de modo velado. Durante esse período, ela se percebe intensamente apaixonada por seu pai, John Victor. Tudo muda quando, aos quinze anos de idade, Anihta decidi declarar-se a John, revelando seus mais íntimos e inocentes desejos. John Victor se imerge em um extenso conflito pessoal, pois, passa a sentir-se sexualmente atraído por Anihta após a revelação. Ambos passam a lutar para manter o bom relacionamento que sempre tiveram, seja se entregando à paixão descomunal ou reprimindo suas vontades. ‘Permita-nos’ narra sobre sexualidade infantil e incesto; é um romance imerso de pequenos detalhes significativos e imensuravelmente eróticos. Há, também, uma crítica sobre a moral e a ética da sociedade que se baseia em princípios religiosos. Por fim, ‘Permita-nos’ traz em si um profundo drama que, a partir da narração em terceira pessoa, pode fazer com que o leitor compreenda plenamente os conflitos de todos os personagens envolvidos.

Nos teus sóis.

Sóis que não emergem do interior de mim mesma, mas sim no íntimo daquele outro - que está tão perto e tão quente. Nos dias em que os níveis hormonais vivenciam a emoção da montanha-russa, os olhos que choram apenas por estarem abertos, piscando, vendo o teto, a parede ou uma cena dramática. Buscando uma resposta no vazio da vida, onde tudo fica tão claro - reluz pela claridade evidente, tão intensa e magnânima. Por uns sete dias e sete noites, mais ou menos, tudo o que perturba e apraz o espírito torna-se delineado, vívido e até tangível. De tal nitidez que leva ao vislumbre, como se fosse um milagre. Então eu busco nos sóis, nos teus sóis, um apaziguar qualquer, apenas para não me deixar levar pela loucura dos mistérios da existência.